terça-feira, 28 de junho de 2011

ESCOLHAS DE UMA VIDA - PEDRO BIAL

A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".
Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.
Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".
Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.
As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...
Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.
Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.
Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.
Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!
                                                 Pedro Bial

DECEPÇÕES!

Sabe, todos nós nos decepcionamos. Faz parte do viver neste mundo caído. E nós nos decepcionamos, simplesmente, porque somos humanos. Nós nos decepcionamos porque temos expectativas em relação às outras pessoas (esperamos algo delas); porque confiamos nelas (e não há como conviver com alguém sem um mínimo de confiança); porque temos uma imagem a respeito de quem elas são (imaginamos coisas a respeito destas pessoas, formamos um quadro de quem esta pessoa é dentro de nós) e, de algum modo, nós pensamos que elas falharam conosco e este quadro que formamos dentro de nós se quebra em diversos pedaços. Na verdade, a decepção vem como um sentimento humano que surge ao enxergamos as imperfeições, feiúras, sombras, contradições, adoecimentos e fraquezas das pessoas ao nosso redor e as nossas próprias. Porque, a verdade é que todos nós temos luzes e sombras, belezas e feiúras, forças e fraquezas, coragem e medo, certezas e dúvidas, saúde e doença. Somos humanos! Se nós nos decepcionamos com alguém é porque esse alguém representava algo a mais para nós. Você não se decepciona com alguém que não admira, respeita ou valoriza. O fato é que pessoas sempre vão se decepcionar e vão decepcionar umas às outras. Isso porque nunca vamos conseguir estar sempre correspondendo a todas as expectativas que temos uns dos outros e até de nós mesmos. Afinal, somos apenas pó. Muitas vezes, o que precisamos fazer, por mais difícil que pareça no momento, é parar, e, calmamente, pensar se o modo como estávamos olhando esta pessoa, esta situação e, até mesmo, nós mesmos era sadio, equilibrado e baseado na verdade ou se muito do que estávamos acreditando e esperando era baseado em sua maior parte nas nossas expectativas, desejos, imagens e carências. Isso porque as pessoas não são a imagem que fazemos delas, elas não são o que queremos pensar que são ou o queremos que elas sejam; elas são quem são - limitadas, com suas belezas e feiúras, muitas vezes quebradas e doentes, falhas, contraditórias, sujeitas a errar, pecadoras, imperfeitas e em processo de crescimento. Eu sei que pessoas falam coisas, prometem coisas, fazem coisas e, muitas vezes, nós escolhemos permitir que tudo aquilo, apenas, alimente, o que nós desejamos dentro de nós. Muitas vezes, em vez de lidarmos com a realidade, lidamos, apenas, com o que queríamos que fosse realidade. É aí que quando algo acontece e a realidade vem à tona, somos tomados de um grande sentimento de decepção. Parece que fomos traídos, enganados e perdemos a nossa vida em função de tudo aquilo em que escolhemos acreditar. Posso dizer que ninguém tem o poder de destruir a nossa vida? Posso dizer que ninguém tem o poder de fazer mais mal a você do que você mesma? Porque nós podemos ser nossos melhores amigos ou nossos piores algozes e inimigos. Nós podemos nos fazer bem ou nos fazer mal. Não é o que aconteceu que mais nos prejudica, é o modo como nós estamos entendendo, as conclusões que estamos tirando, as coisas que estamos pensando e alimentando dentro de nós, em cima daquilo que nos aconteceu. O IMPORTANTE É SABER QUE... Quando alguém encontra seu caminho precisa ter coragem suficiente para dar passos errados. As decepções, as derrotas, o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada.